A crise das guitarras!


Olá pessoal, hoje falaremos do mercado de guitarras.

Nos últimos meses fomos bombardeados com notícias de “falência” da Gibson, que o mercado da guitarra está em decadência e que o instrumento está em extinção, etc.

É claro que mediante essas notícias, podemos deduzir que as coisas já não estão boas como em outros tempos, mas será que estamos fazendo a relação correta dos fatos? Será que os tempos áureos das guitarras estão realmente acabando? 

No meu ponto de vista, nós aqui do Brasil estamos misturando um pouco as coisas, e nesse artigo eu  vou tentar separar os fatos para não haver bagunça.

Primeiramente, já, a vários anos no mundo, a guitarra deixou de ser destaque na música, isso porque os estilos musicais que a valorizam como o rock e blues já não são tão divulgados nas mídias como em outros tempos.

A falta de material novo, de destaque e diferenciado é evidente. As bandas antigas ainda permanecem fortes mas aos poucos vão se extinguindo e seu público também.

As bandas novas que aparecem, pouco parecem se importar com a essência da música e com o gosto dos ouvintes, parecendo mais um pacote pre moldado de mídia para se enquadrar aos padrões comerciais vendáveis.

Porém mesmo fora da mídia temos ótimos trabalhos acontecendo e músicos geniais fazendo a diferença e levando a música adiante mesmo que as vezes sem o devido retorno financeiro merecido.

Para conhece-los é preciso sair dos veículos tradicionais e ir buscar informação. Felizmente hoje em dia temos vários canais de divulgação de fácil acesso, sendo assim, se o público procurar, vai achar.

Agora falando mais do instrumento, ele ainda é muito forte em todo mundo, continua presente e participando de todos os estilos musicais, como pop, rock, sertanejo, axé, etc, mas aqui no Brasil tivemos uma queda brusca das vendas nas lojas, o que pode ser explicado pela crise financeira, o aumento do dólar e os nossos impostos. Some, a dificuldade financeira do brasileiro, com o aumento natural dos preços pela inflação e cotação do dólar, a tributação brasileira que em alguns casos chega a praticamente dobrar o valor de um produto(mais de 100%), o resultado não poderia ser outro. Não só na guitarra mas como no mercado em geral de música.

Nos últimos 5 anos, vários lojistas, importadores, e fabricantes fecharam as portas, ou diminuíram muito de tamanho, pois simplesmente o público não tem mais condições de adquirir novos produtos musicais.

É tão ridícula a situação que chega ao ponto de um jogo de cordas que custa de 3 a 4 dólares nos EUA, ser vendido aqui no Brasil por 40 reais. Faça uma conta básica 4 dolares convertidos para real seria algo em torno de 13 a 15 reais. Diferença de quase 30 reais sendo absorvida por frete, impostos e margem de lucro.

Quando comparamos então com um instrumento como a guitarra Gibson ou Fender, aí a diferença é absurda. 

Enquanto nos EUA você compra uma guitarra dessa marca por algo em torno de 800 dólares, por aqui não irá encontrar em uma loja com importação devidamente legalizada e nota fiscal por menos de 6 mil reais. Veja bem convertendo os valores a diferença passa de 3 mil reais. Mais que o dobro do valor do instrumento.

Vejo vários brasileiros colocando a culpa da “falência” da Gibson por causa de seu preço elevado, mas poucos sabem que a realidade é que um instrumento dessa marca só é tão caro aqui por causa dos impostos incidentes na importação e revenda do produto.

Nenhum lojista se arriscará a colocar na prateleira um produto de alto valor, pois além de demorar a ser vendido a margem de lucro de venda é baixa.

Para os bolsos dos americanos é perfeitamente adequado o valor do produto, e tem mais , além de instrumentos de ponta, ainda existem os mais baratos como as segundas linhas de instrumentos, no caso da Gibson temos a Epiphone e no caso da Fender tem a Squier, que são ainda mais baratos e se comparados aos padrões brasileiros é quase de graça.

A Gibson passa por uma crise sim e realmente quase faliu, mas é muito mais uma crise de má gestão, de escolhas erradas do que efetivamente queda de vendas de guitarras. Lógico que aqui estamos falando de mercado global e não Brasil.

Portanto a confusão que eu vejo em várias discussões de brasileiros dizendo que a Gibson está falindo por ser cara demais, só se reflete infelizmente aqui em nossas terras.

Agora uma coisa precisa ser dita, já passou da hora dos músicos brasileiros se atentarem a evolução dos produtos musicais e de passarem a procurar qualidade ao invés de simplesmente um modelo pre moldado e comercial. No mundo das guitarras, existem opções muito além de Fender ou Gibson, e muito além de modelos como Strato, Tele e Les Paul.

É nítido o aparecimento de várias marcas com evoluções significativas, e novos designs e materiais, só que isso está acontecendo apenas lá fora, por aqui ainda só se fala de fender e gibson. 

Então meus caros amigos, a guitarra está evoluindo e tomando novos rumos, no mundo inteiro, infelizmente por aqui só vamos descobrir isso daqui a 30 anos. Mas minha dica é, larguem essas crenças mitológicas de instrumentos, e procurem fazer musica nova e boa!

E você o que acha desse assunto? Deixe seu comentário abaixo!

Um Grande Abraço e até a próxima.