Comprei um instrumento novo: precisa regular?

Precisa, sim. Instrumento novo sai de fábrica montado, não ajustado — e ajuste é outra coisa. É por isso que tanta gente compra um violão, acha que não consegue tocar e culpa a si mesma quando o problema era só regulagem.
Comprou violão, guitarra, baixo ou viola e agora? A resposta óbvia seria “tocar”. Só que não é bem assim, e eu explico por quê.
O que chega junto com o instrumento novo
Duas coisas que quase ninguém considera na hora da compra:
O instrumento é sensível ao clima. A madeira dilata e contrai com umidade e calor, e o que estava ajustado na loja pode não estar mais na sua casa.
As cordas têm prazo de validade, mesmo parecendo novas. O jogo que veio no instrumento pode estar ali há muito tempo.
Regular não é trocar peça por gosto
Regular é ajustar o tensor, o ângulo de pressão do cavalete e do rastilho ou o ângulo da ponte, a altura e a angulação da pestana, pôr as cordas do jeito certo e lubrificar as peças.
Não é pôr corda de nylon em violão de aço, nem corda 09 em violão. Isso não é ajuste, é estrago.
E tem uma parte boa: na regulagem dá para adequar o instrumento a quem vai tocar. Mão pesada, mão leve, iniciante, quem toca todo dia — o ajuste não é o mesmo.
O erro que eu vejo toda semana
A pessoa aparece aqui mais de um ano depois da compra reclamando da qualidade do violão: que não afina, que está duro, que talvez ela não saiba tocar direito. O problema quase sempre era uma regulagem bem feita e um jogo de cordas novo.
Tensor não fica no lugar certo para sempre, a altura das cordas muda conforme a madeira se acomoda, as cordas envelhecem e a madeira resseca. Isso vale para qualquer marca e qualquer faixa de preço.
Então faça esse favor a si mesmo: leve o instrumento a um luthier e pare de sofrer. Concentre-se em tocar, não em vencer o instrumento. O serviço está na página de regulagem, e o que entra nele eu detalhei em regulagem: o que é e o que está incluído.
