"> Tipos de trastes: qual escolher e quando trocar – Luthier BH

Tipos de trastes: qual escolher e quando trocar

O traste muda três coisas no seu instrumento: o quanto ele dura, como a nota soa e como a mão se sente. Material, altura e largura são escolhas — e quase sempre dá para nivelar o que você já tem antes de pensar em trocar.

Traste é a vareta de metal que separa as casas do braço. Além de definir onde cada nota começa, é nele que você executa tudo: o ligado, o bend, o vibrato. Passo o dia com trastes na bancada, e é sempre a mesma conversa — então resolvi escrever.

De que material ele é feito

  • Níquel-prata — liga de cerca de 18% de níquel, 80% de cobre e um resto de zinco, chumbo e cádmio. É o material da grande maioria dos instrumentos que chegam aqui.
  • Inox — aço inoxidável. Dura muito mais, porque resiste melhor ao desgaste da corda, e quando bem polido fica tão liso que o bend sai sozinho.
  • Bronze e latão — pouco usados. A cor dourada dá um charme que nenhum outro dá, mas não aguentam o atrito das cordas por muito tempo.

Cada material se comporta de um jeito, e o mais indicado depende do instrumento e do tipo de corda que ele usa.

Largura e altura: o que muda na mão

Desenho do corte de um traste, indicando largura e altura da coroa, o tang (a haste que entra na escala) e as travas laterais

No desenho, a parte arredondada é a coroa — é nela que o seu dedo e a corda encostam. Embaixo dela vem o tang, com as travas, que é a parte que fica enterrada na escala e segura o traste no lugar.

Não existe padronização de verdade: cada fabricante produz na medida que quer, e o próprio material faz variar. Aqui na bancada eu classifico assim:

  • Fino — abaixo de 2 mm, chegando a 1,30 mm. Aparece em instrumento antigo e nos menores, como cavaco e bandolim.
  • Médio — entre 2,03 mm e 2,75 mm. É o mais comum nas marcas tradicionais de guitarra, baixo e violão: Fender, Gibson, Martin, Taylor.
  • Jumbo — de 2,75 mm a 3 mm. Mais usado em guitarras tipo Ibanez, Jackson e Ltd.

O mais largo favorece quem toca virtuoso: ligado, tapping, velocidade. O mais fino é confortável para acorde. E em instrumento pequeno não há espaço entre as casas para um traste largo, então a escolha se resolve sozinha.

A altura é uma segunda escolha, independente da largura: existe traste fino e baixo, fino e alto, e o mesmo vale para médio e jumbo. Quanto mais alto, mais longe da escala ficam a corda e a sua mão. Isso facilita bend e velocidade — mas quem toca com força acaba desafinando, porque a pressão do dedo puxa a nota e vira um mini bend sem querer.

Não existe medida certa universal. Técnica e força mudam de músico para músico, e o que é bom para um atrapalha o outro.

O que come traste é corda velha

O pior inimigo do traste é a ferrugem. Corda oxidada fica abrasiva e desgasta a vareta muito mais rápido que corda nova. Com o tempo esse desgaste vira trastejo e nota que não afina direito.

Close de uma escala de jacarandá em que os trastes já mostram marcas e pequenas crateras deixadas pelas cordas

Se você quiser fazer uma única coisa pelos seus trastes, é essa: troque as cordas antes que elas enferrujem.

Nivelar ou trocar

Tem fabricante que não nivela os trastes ao montar o instrumento, ou não os assenta direito. Por isso um instrumento novo pode chegar trasteando e desafinando — não é defeito seu, e tem conserto.

Na maioria dos casos o caminho é o nivelamento: colo o que estiver solto, lixo as varetas para tirar as imperfeições e deixo todas no mesmo plano, com gabarito e taco retificado. Depois arredondo o topo e polido, até voltarem a parecer novas.

Taco retificado apoiado sobre a escala protegida com fita, na bancada, durante o nivelamento
Lima de coroamento trabalhando traste a traste numa escala de guitarra protegida com fita

Só que existe um limite: a cada nivelamento o traste perde altura. Quando não há mais material para tirar, aí sim é troca de trastes — serviço bem mais longo, e mais caro.

Na dúvida entre um e outro, o jeito mais rápido de saber é eu ver o instrumento — dá para adiantar bastante por foto.

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