Cabeça do braço quebrada: vale consertar?

Quase sempre vale. A cabeça quebrada tem conserto, e feita do jeito certo a região volta a ter a resistência original — sem mudar o som e sem atrapalhar a afinação. O que decide não é a gravidade da quebra: é quanto o instrumento vale.

Essa é a pergunta que mais chega aqui: caiu, quebrou, tem jeito? Então vou responder de uma vez, com as fotos dos que já saíram da bancada.

Por que é sempre a cabeça

Um violão afinado está o tempo todo sob cerca de 60 quilos de tensão das cordas. O instrumento aguenta isso de pé — ele foi feito para aguentar. O problema é o que acontece quando você esbarra ele em algum lugar, ou deixa o instrumento no calor e na umidade: naquele instante a tensão que já existia se multiplica, e vira uma força que a madeira não segura.

A cabeça é onde essa força se concentra, porque é ali que ficam as tarraxas e é ali que a madeira faz um ângulo. Esse mesmo ângulo é o que torna o reparo difícil: não sobra espaço para grampo nem ferramenta comum, e sem gabarito a colagem sai torta.

Fica aparecendo?

Não precisa ficar. O que eu persigo em cada um desses reparos é: colagem alinhada, resistência de volta e acabamento o mais próximo possível do original.

Três cabeças de violão — Tagima, Eagle e outra — durante o reparo, com a madeira nova enxertada na base de cada uma
Frente da cabeça de um violão Takamine depois do reparo, encordoado, com o logotipo preservado
Verso do mesmo braço Takamine depois do reparo, sem trinca visível na região colada
Frente da cabeça de um violão Eagle depois do reparo, encordoado
Verso de um braço Tagima depois do reparo, com o acabamento refeito e a emenda imperceptível

Repare nas fotos: as colagens estão alinhadas, não há resto de cola nem trinca à vista, e o instrumento aguenta a tensão das cordas de novo sem variar a afinação.

O que você precisa evitar

Chega aqui instrumento vindo de outro “profissional” com parafuso atravessado para segurar a região, retoque malfeito, e a parte quebrada pintada de preto — só para esconder o serviço, porque não souberam recuperar o acabamento original.

Um reparo malfeito é pior que a quebra: ele estraga a madeira que ainda estava boa e encarece o conserto de verdade. Na dúvida, não deixe qualquer um abrir o seu instrumento.

Quanto custa — e quando não compensa

Não tem como ser barato, porque não é um serviço só. São estes, um atrás do outro:

  • desmontagem completa do instrumento
  • recorte de madeiras
  • colagem com grampos e gabaritos próprios
  • lixamento e remodelação da madeira
  • preparação, pintura e polimento
  • montagem completa
  • nivelamento de trastes e regulagem

Como aqui tem estrutura para fazer tudo isso na mesma bancada, o serviço sai mais rápido e o custo fica enxuto. Para a maior parte dos instrumentos do mercado, o reparo não passa do valor comercial do instrumento. E ele volta regulado, com cordas novas e pronto para tocar — esse ajuste todo instrumento precisa de tempos em tempos, de qualquer forma.

Tem exceção, e é honesto dizer qual: instrumento muito barato, feito de compensado ou MDF, costuma custar mais para consertar do que vale. Nesses casos eu falo isso na avaliação, antes de qualquer serviço.

Se quiser ver o processo inteiro em vídeo, escrevi sobre ele em braço quebrado tem conserto. O serviço em si fica nas páginas de colagens e, nos casos mais sérios, de restauração.

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